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Agora é lei: pit-dogs fazem parte do patrimônio cultural de Goiás

O governador Ronaldo Caiado sancionou, em solenidade realizada nesta quinta-feira (08/10), projeto de lei que torna a gastronomia e a cultura dos pits dogs patrimônio cultural imaterial do Estado de Goiás

Não tem como negar: pit-dog é tradição gastronômica desde a década de 60 em Goiás. E agora ele faz parte do patrimônio cultural do estado. Isso porque o governador Ronaldo Caiado sancionou nesta quinta-feira (08/10) uma lei que declara como patrimônio cultural imaterial a gastronomia e a cultura dos pit-dogs, quiosques montados em praças de Goiás que fazem sanduíches preparados na hora. A autoria do projeto é da deputada estadual Adriana Accorsi.

Andando pelo interior ou pelas esquinas de Goiânia é fácil esbarrar em um quiosque de pit dog. Hoje, são mais de 1.600 estabelecimentos na capital e mais de 3.000 em todo estado registrados no Sindicato de Proprietários de Pit Dogs em Goiânia (Sinopitdog), que diz empregar mais de 40 mil pessoas só na cidade.

O governador afirmou que fez questão de fazer a sanção da lei no Palácio das Esmeraldas  pelo respeito que tem aos trabalhadores desse setor, que neste período de pandemia da Covid-19 foram duramente penalizados pelo efeitos da crise sanitária. E nesse sentido lutou para que parte do recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) fosse disponibilizado ao segmento. “Mas sabemos que o que recupera mesmo é o retorno da economia. E, graças a Deus, estamos dando conta de mostrar o potencial que Goiás tem agora, depois de um período que estamos em uma curva descendente.”

Em meio à concorrência com lanchonetes e com os food trucks, a lei prevê que seja assegurada a existência dos pit-dogs, que geralmente são negócios de microempresártios, de familiares de pais que passam para filhos, ou de famílias inteiras que se revezam para cuidar de seus comércios. 

A lei argumenta que os pit-dogs são lugares totalmente democráticos, frequentados por todas as classes sociais, proporcionando um momento de lazer para as famílias e que, durante décadas, fazem parte do costume da população.

Muitos se perguntam o que faz um pit dog diferente do hambúrguer tradicional? Para alguns é a forma de preparo na chapa e na montagem. Já há quem afirma que o segredo está nos adicionais, como batata, milho, banana, abacaxi e no conhecido molho verde. Mas a verdade é que a relação do goiano com o pit dog está baseada em memórias, em comer um lanche associado à hospitalidade do nosso povo, capaz de gerar uma boa lembrança da vida, ao prazer, ao gosto de infância, despertando sentimentos e boas memórias, um costume é passado de geração para geração.

Presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiocchi afirmou que a ação do Governo de Goiás valoriza o setor, que por muitos anos foi estigmatizado na capital e em todo o Estado. “Hoje, o senhor reconhece o segmento, que é formado, na grande maioria, por famílias. São locais onde trabalham pai, esposa, filho. Isso tem um fator preponderante, o reconhecimento pelo Governo de Goiás como patrimônio cultural”, destacou.

Presente também à solenidade, Ivon Domingos da Silva trabalha em um dos pit dogs de Goiânia e representou as milhares de pessoas empregadas pelo setor. “Sou funcionário do pit dog desde 1994 e estou representando funcionários de pit dog, de Goiânia e de Goiás. Quero agradecer aqui ao Ademildo, nosso presidente, Marcelo Baiocchi, e o senhor Josias, nosso diretor. E quero agradecer todos os deputados que nos apoiaram. E eu quero agradecer nosso governador, Ronaldo Caiado. Muito obrigado, Caiado. Muito obrigado, de verdade.”

Patrimônio Imaterial

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas). A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e imaterial. 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) define como patrimônio imaterial “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”. Também participou do evento o secretário de Comunicação do Estado, Tony Carlo.